montagem final

Essa segunda terminamos a desmontagem da exposição na Olido. Tiramos as fotos, o vídeo, os textos e derrubamos o objeto central. Mas aqui quero mostrar um pouco da montagem final ainda em pé. A Borda foi para a parede mudada, grupos de 3 a 5 imagens estabeleciam novas relações narrativas e estéticas. Além disso imagens recém saídas do formo receberam destaque, um exemplo são as 3 fotos do domingo do primeiro turno da eleição (3 de outubro de 2010) tiradas menos de um mês antes de ocuparem as paredes. A ida ao Recreio da Borda do campo no dia da eleição foi com certeza provocado por discussões durante a montagem da exposição.

Trabalhamos juntos o ano todo, no final com muita intensidade. Foi uma bela experiência até aqui, o saldo é mais que positivo!!  Agora é descansar um pouco, deixar o trabalho quieto…. respirando. O Incubadora segue, veremos por quais caminhos.

balanço parcial

Numa das madrugadas passadas na olido, enquanto eu pintava a parede com o Paulo, Breno fazia a seleção das imagens pro vídeo a partir do material bruto. Quando vi, percebi que ele conseguiu fazer exatamente o que me sugeria faz tempo, contar as histórias do acampamento em imagem. Isso me pertubou muito. Vi que ele tinha razão, que isso era possível. Mas será que era essa a série que eu queria fazer? Se queria contar as histórias, por que não me via naquelas imagens, naquela edição?

A pergunta inicial do welcome home, que série foi essa que eu fiz?, permanecia mais angunstiante.

O dia da reabertura chegava e eu precisava enfrentar a pergunta, no ponto em que eu estava. Essa imagem, por exemplo, eu nunca teria fotografado antes do Incubadora. E se por acaso tivesse, eu nunca a teria pré-selecionado. Sozinha essa imagem mentia, pois eu não me enxergava dentro dela. Mas se eu tirava da edição, o conjunto todo perdia em magia. A história que eu queria contar talvez não fosse a mesma dos relatos compartilhados, mas algo mais íntimo e por si só, mais complicado de colocar palavras.

Welcome home foi pra parede, em uma edição de 11 imagens.

Estou contente com essa edição, mesmo que ela nasça manca por definição, pelo novo que ela inaugura, pela confecção de um sentimento mais complexo, construído não só dentro do labirinto de cada imagem, mas pelas relações criadas pelo sequenciamento.

Além dos que participam do blog, devo agradecimento aos queridíssimos Paulo Bueno, Gabriela Herman e Patrícia Stavis, que me ajudaram nessa etapa.

três coisas

gui me pediu pra postar aqui, outro dia, alguma coisa, um pouco tendo em vista as nossas conversas sobre o trabalho dele, outro pouco considerando a abertura desse espaço – sugerindo que ela fosse usada. por isso mando três comentários (sobre welcome home e um pouco mais):

1. tenho absoluta convicção de que ele deve parar de escrever; essas frases não ajudam em nada, nem no momento inicial da primeira abertura, onde afetavam uma gagueira que, se não estava evidente nas fotos, não precisava de uma muleta verbal para ser sublinhada. além de ele escrever mal; além de as frases trazerem mais elementos parafotográficos numa série já problemática nesse sentido (porque empurra a atenção na direção da narrativa em torno do lugar, das pessoas, etc.);

2. sobre o grande dilema da foto do sujeito pelado: me parece desnecessária em todos os níveis. ele diz que a foto o denuncia como sujeito-fotógrafo-desejante; a meu ver, a denúncia só existe pra quem não prestou atenção nas outras fotos da série, nem nas outras séries. em todas há esse nível de interação, que começa no sujeito fotógrafo desejante (as séries sugerem um enunciado mais ou menos como “eu te quero dentro da minha fotografia e quero estar lá junto com você”). a menina dos olhos é um exemplo prático: o desejo do afeto ali é quase pegajoso, de tão presente; o ensaio pra loucura, um exemplo óbvio: gui se coloca exatamente dentro da engrenagem que gera a foto. e, enfim, mesmo que welcome home não esteja pronta, mais de uma foto, das que sobrevivem às inúmeras edições, é igualmente firme na presença do desejo do sexo, e mais bem sucedida (mais complexa) enquanto imagem.

3. sobre a narrativa em torno a welcome home – a história da produção dessas fotos, o acampamento, etc., atrapalha tudo. quando fetichizam a narrativa a série vira uma fotonovela. certo, claro, a história do lugar [onde as imagens foram obtidas] é excelente, mas que isso ganhe mais atenção que as imagens… talvez se queira discutir o acampamento, o que seria uma boa também – mas aí a série não ajuda, indifere. o gui colabora com a fetichização quando põe as frases, porque anuncia que coisas importantes aconteceram pra ele e pra fotografia dele lá – mas ninguém precisa saber disso; ninguém precisa do tom confessional. é preciso olhar pra fotografia e pra importância de welcome home no desenvolvimento do trabalho e do pensamento que vive nele. pondo de outra forma, e dando um passo adiante, não interessa se as imagens são o si-próprio das pessoas que aparecem na imagem, se são um momento de verdade [das pessoas]; interessa que, mesmo se fossem montadas, delicadamente construídas (cenário, roupas, figuração), aquelas imagens precisam existir; e que elas carregam um avanço ético (e seria possível dizer também afetivo, e político) no pensamento-trabalho do gui. é essa nova delicadeza conquistada, irmã da delicadeza de libélula do sopro e da delicadeza fraterna da borda, que é o importante (repito, mesmo que todos que aparecem na welcome home estivessem encenando). me parece que quanto mais narrativizam os processos, que é uma tentação, mais se perde em pensamento – e, na medida que estão os 3 fotógrafos refletindo sobre como abordar o antigo “objeto fotografado”, sobre como lidar com uma coisa (o antigo tema) que não pode mais ser objeto, enfim, na medida que os três tomam o partido das coisas e pensam sobre o risco enorme das relações, e sobre a cautela enorme e a delicadeza que são necessárias, essa perda do pensamento é um desperdício indesculpável.

Agora, todo mundo pode postar

Nosso processo de trabalho tem sido mostrado aqui no blog, e foi agora levado para a Galeria Olido. A idéia é desehar a forma final da exposição a partir da colaboração dos amigos e do público, e pensar desdobramentos possíveis para esses trabalhos. As sugestões podem vir por e-mail, comentários deixados nos posts e no livro de visitantes da exposição, ou também pessoalmente. Se alguém quiser marcar uma conversa lá na Olido, será um prazer.

Para ampliar esse diálogo, estamos abrindo o blog do Incubadora não apenas para comentários, mas também para posts. Quem quiser colaborar, basta fazer um rápido cadastro e uma senha será enviada por e-mail. Faremos mediação das postagens apenas para evitar spam. As críticas são bem–vindas.

o tal do um mais um é igual a um

Do mestre Carlos Moreira, vendo Tarkovsky na parede do Lucas:

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(entendendo aos poucos)

A culpa é das paredes.

Quando recebemos o sim da Olido, fazer uma exposição do Incubadora já tinha perdido o sentido, precisamos, frente a isso, buscar uma relação diferente com o espaço expositivo. Normalmente um fim, a galeria deveria se transformar em um meio, um laboratório de transformação e entendimento dos trabalhos.  Além disso, o espaço deveria ser ocupado pelo grupo e sua dinâmica vivida por todos.

Juntos criamos um objeto, uma sala, uma casa, um espaço onde os trabalhos puderam (ou podem) se transformar, uma metáfora do Incubadora. Talvez ai vivemos a experiência mais dividida de todo o projeto. Do debate da última quinta uma frase do Breno ficou gravada na minha cabeça:  “ – Isso aqui” – apontava ele para seus trabalhos na parede – “é uma desculpa para participar dessa construção.”

Acho que conseguimos, criamos um objeto que transformou a relação dos trabalhos com o espaço expositivo. Criamos, também, um ambiente onde muitas certezas foram quebradas, onde trabalhamos juntos com intensidade. Mesmo que mergulhados no próprio trabalho, o trabalho do outro estava logo ali, nunca esteve tão perto! E assim criamos, pouco a pouco, cada um no seu compasso uma coisa só. Nesse processo levamos ao limite os afetos construídos durante meses. Sobrevivemos! Fortalecemos os laços, todos trabalharam por todos e dentro do objeto central a Borda do Campo se transformou.  Lembro de mais uma frase, dessa vez da Lua, em uma das primeiras reuniões sobre a exposição: “- A parede não fala.”. O objeto central e suas paredes falam, com elas tivemos que conversar. Eu e a Lua tínhamos alguns planos antes de entrar na galeria, planos esses que foram quebrados por essas conversas. O espaço provocou mudanças até na nossa relação de trabalho.  Abri espaço para um Recreio da Borda do Campo que também é um pouco dela, imagens que são mais significativas na vivência dela do bairro.

Começamos pensando a parede externa do objeto, a face que enfrenta diretamente as paredes da galeria. Nela colocaríamos o texto do projeto e um mapa do bairro a espera das imagens que ocuparão as paredes da Olido. Dessa forma estaríamos desconstruindo o valor desse objeto, transformando ele apenas em suporte. Ele rapidamente nos avisou, gUi e Breno compartilharam desse sentimento. A parede recolheu o texto, expulsou o mapa e pediu a água, a neblina. Uma imagem de um lugar central de investigação do trabalho, a represa Billings,  mais ao mesmo tempo uma imagem que pode ser um lugar qualquer ou lugar nenhum.  Os cinzas se misturam, as texturas se sobrepuseram. Desse encontro saiu o cinza da parede frontal, o cinza que ainda vai receber novas imagens.

Montamos a parte interna na última noite, ali tudo mudou. Uma imagem de satélite do bairro, um texto da Lua, leis de gestão das áreas de manancial, objetos guardados pela Lua nas idas ao bairro, um quadro e um poema (Poema de um quadro) viraram os objetos centrais e a partir deles o resto se construiu.  Decidimos criar mosaicos de imagens, trabalhando não mais relações lineares ou uma narrativa com começo meio e fim. Novas imagens foram usadas, imagens que até então estavam guardadas. Enquanto construíamos essa parede o gUi também trabalhava dentro do objeto central, as imagens do Breno já ocupavam o espaço.

Saio dessa primeira fase satisfeito, tentando entender as mudanças no trabalho, aprendendo a gostar de novas imagens e com dúvidas sobre a reformulação do espaço. Como passar de dentro para fora? Será só mais uma repetição do mesmo? Será que já não está bom? Como fazer desse processo mais do que uma edição?

Tenho visitado a exposição a procura dessas respostas, conversado bastante com a Lua, e gostaria de usar esse espaço, o blog, nessa construção. Sei que muitos que estavam no debate gostariam de dizer mais e os que visitaram a exposição depois, também. Muitos acompanham as discussões desde o início. A opinião de vocês é muito importante. Fiquem a vontade!

e nem foi culpa da madeira

Ao longo desse tempo que a gente tem se encontrado, desenvolvi uma profunda ligação com vocês, parceiros de incubadora. Vocês sabem das histórias por trás do welcome home, conhecem as fotos brutas, influenciaram muito a segunda viagem e acho que tem alguma idéia de onde eu queria chegar com isso. E quando eu penso na exposição fantasio a aprovação de vocês, mais do que qualquer outra pessoa.

Quinta feira fiquei com Breno na Olido até bem tarde, testando vários tons na parede, tentando descobrir qual se encaixava melhor pro welcome home. A dificuldade que eu encontrei pra me decidir me revelou uma certa desconexão com o trabalho. Como pode ser tão difícil escolher uma cor?

O dia seguinte foi crise geral. Quiz me isolar um pouco pra tentar re-entender ( isso existe?) esse projeto. Reli os cadernos, os posts os comentários, e tentei buscar o fio da meada.

Cheguei na Olido bem de noite, com a cabeça transtornada. Por que diabos eu pensava em usar as ripas da minha casa como moldura? Qual o sentido de fazer uma alusão a um lugar ( tanto lá quanto cá)  que nem sequer é o real assunto da série?

Meu maior desafio agora começar tudo de novo, dessa vez de um ponto de partida mais íntimo e menos narcisista.

objeto de todos

Com a proposta inicial de diluir o autor e deixar transparentes as referências e os afetos nas próprias pesquisas, o Projeto Incubadora acabou indo além dessas questões, partindo para a idealização e construção de um objeto que ocupará a parte central da galeria.
O objeto, que nasce de uma ideia simbólica para representar o conceito do Incubadora, transformou-se em um espaço incubido de representar o desenvolvimento central de ideias e criação, de forma a expandir o que forma seu entorno.
Nos meses de planejamento da exposição, sua existência transitou entre ser um objeto estrutural, tendo como função ser o cenário das pesquisas e, ser um trabalho que altera e centraliza todo o sentido da exposição.
Coletivamente idealizado e criado, o objeto é o amago das questões que o grupo se propõe a discutir.
O que mais me interessa na criação desse objeto, é a expansão de uma proposta apenas fotográfica. Meu trabalho fotográfico que será exposto parece ser apenas uma desculpa para fazer esse movimento em direção a novas possibilidades de criação. É isso que mais me atrai no momento, no espaço Olido e fora de lá, no espaço objeto.

Eleições no Recreio da Borda do Campo.

Domingo saímos cedo de casa em direção ao Recreio da Borda do Campo para acompanhar a votação no bairro.  A região, nos últimos anos, sofreu alterações profundas originadas pela atuação e decisão política. Leis, normas, obras e o descaso estão marcados na geografia do bairro. O Recreio da Borda do Campo, entre Mauá e Santo André, é parte do grande ABC Paulista região histórica de movimentação sindical e partidária.

Fomos ver como seria esse dia por lá!

Na porta das escolas Francisca Helena Furia (Estadual) e Chico Mendes (Municipal) a movimentação era intensa mesmo com a chuva.  Uma infinidade de santinhos cobria o chão tentando seduzir o eleitor despreparado. Muitos andavam vasculhando entre os santinhos tentando achar o número do candidato escolhido. A boca de urna, mesmo tímida, aproveitava para conseguir votos de última hora.

Solange, 2010

Fomos conversando, tentando encontrar representantes do bairro. Em um cartaz ao lado de Paulo Skaf estava Ivone do Clube de Campo, candidata a Deputada Federal pelo PSB (número 4029 ), seus santinhos cobriam boa parte do chão. Solange, que fazia “boca-de-urna” para a vizinha, nos disse que eles tinham sido jogados durante a madrugada. Rapidamente fomos convidados a conhecer Ivone, Solange nos disse: “ ela quer falar com vocês, ela tá em casa preparando uma feijoada pra gente”.

Fomos até a casa de Ivone, uma casa simples em eterna reforma, como a maioria das casas do Bairro.  Ivone, já avisada da nossa presença por lá, esperava na porta de casa.

Ivone, 2010.

o punctum

“Dessa vez não sou eu que vou buscá-lo (como invisto com minha consciência soberana no campo do studium), é ele que parte da cena, como uma flecha, e vem me transpassar. Em latim existe uma palavra para designar essa ferida, essa picada, essa marca feita por um instrumento pontudo; essa palavra me serviria em especial na medida em que remete também à ideia de pontuação e em que as fotos de que falo são, de fato, como que pontuadas, às vezes até mesmo mosqueadas, com esses pontos sensíveis; essas marcas, essas feridas são precisamente pontos. A esse segundo elemento que vem contrariar o studium chamarei então punctum; pois punctum é também picada, pequeno buraco, pequena mancha, pequeno corte – e também lance de dados. O punctum de uma foto é esse acaso que, nela, me punge (mas também me mortifica, me fere)”. (BARTHES, 1984, p.46)

Faço das palavras de Roland Barthes, as minhas. É a delicadeza com que o menino Felipe segura a corda para “impedir” que a égua sem nome fuja. Como ele levanta suavemente a calça para que a barra não suje de barro, com a mão que tem um relógio que marca três. As sandálias trocadas entre os dois. O rabo do cavalo que vou de forma suave.

lá e cá

À duas semanas do início da montagem, tudo ainda é incerto e tudo pode se transformar o tempo todo. Só nessa semana já foram 3 as cores das paredes. Testes para a interpolação das imagens. os tamanhos, os materiais.

Por mais que se espere da exposição que ela se transforme pelas interferências, existe uma demanda ( até pra negociar os apoios ) por pelo menos alguma estimativa.

Dos vários caminhos que já passaram pelas maquetes, paletas e discussões, tem me feito muito sentido agora confrontar o welcome home com elementos da minha casa. aqui.

Com a reforma do telhado que por acaso se inicia, imaginei usar as ripas de madeira velhas como matéria prima para as molduras. Algo que remetesse ao uso da madeira no Santuário, ao aproveitamento do material disponível, à beleza construída dos farrapos.

Mas ainda não consegui ver essas madeiras, portanto é tudo especulação. O andaime está montado, as telhas novas já subiram. Todo dia acordo ansioso: “-Desceu a madeira?” “-Se não chover hoje, amanhã começa…”

Na minha imaginação as ripas são de madeira bem escurecida pelo tempo e pela humidade e, a julgar pelas novas ripas, elas devem ter uns 10 centímetros de espessura (queria que fosse um pouco menos).

Na minha imaginação elas são irregulares pero no mucho, encontro beleza nas marcas de prego e de pó. (mas se elas estivessem sem ondulações sérias, qual seria o sentido de trocar o madeiramento?)

A parede nunca foi branca. Já teve textura, já foi cinza, berinjela e cor de burro quando foje.

Mas mesmo essa decisão, que poderia ser um mero acordo estético sobre qual cor orna mais com o tom das imagens sem brigar com os outros trabalhos expostos, começa tomar direções simbólicas.

Hoje imaginei essa parede na mesma cor que pintei o quintal da minha casa, o mesmo cal, o mesmo pó xadrez vermelho irregularmente distribuído.

Mas depois que eu conseguir ver a madeira, tudo pode mudar.

vamos falar da exposição?

Estamos há dois meses discutindo o projeto da exposição do Incubadora.

cabe uma exposição para esse projeto? será que faz sentido expor trabalhos que ainda estão no meio do processo? como incorporar esse processo num espaço tradicional de exposição?

como construir e/ou desconstruir esse espaço? como cada um dos trabalho se relaciona com essa construção?

As conversas têm sido muito muito ricas.

Agora que a exposição está confirmada na Olido, com abertura dia 14 de outubro, acho que tá na hora de trazer essa discussão aqui pro blog.

esboço da Olido, George Rotatori.

O que vocês acham?

novas imagens.

André e Maiara

genderfuck

Olhando pra trás e vendo as fotos que tenho escolhido tratar, tenho reparado num interesse pela confusão entre os gêneros. O post sobre o Isaiah, o comentário citando o Asher. No flickr uma das imagens gerou justamente essa confusão. E eu gostei disso.

Nessa segunda viagem eu estava menos assutado e mais aberto pra poder ouvir as histórias das pessoas, que levantavam questões que me perturbavam e me esclareciam. ou me iluminavam justamente pela distúrbio que causavam no meu raciocínio binário.

Entre os aspectos do pertencimento e do acolhimento que eu queria ver no ensaio, um deles é com certeza esse espaço para a experimentação, algo além do pensamento que relaciona gênero com genitália e expressão com identidade.

genderfuck, no wikipedia.

na cabeça

Tenho trabalhado muito na edição das imagens, e no meio de tantas novas tratadas tem uma que não sai da minha cabeça.

Mas ainda não sei por quê.

outro tom


arditti

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nova edição

Acabo de subir uma nova edição do trabalho “Na Borda do Campo, no limite da cidade” aqui na galeria do Incubadora. Essa edição é o resultado de muito trabalho, novas imagens e imagens há muito guardadas. Algumas delas foram retiradas também.

Aproveito para publicar um texto sobre o projeto. O texto é, na verdade, mais antigo que essa edição. Passamos algum tempo tentando reescreve-lo sem sucesso, acho que ele representa bem o trabalho e na verdade, gosto bastante da sua objetividade e linguagem. O texto me lembra um “Abstract” de teses em ciências naturais, apresentadas na Academia ou a introdução de um Relatório de Impactos Ambientais, normalmente obrigatórios, para a liberação de obras como a do Rodo Anel de São Paulo.

“O bairro Recreio da Borda do Campo, periferia de Santo André, está situado em área de manancial às margens da Represa Billings, uma das principais fontes de abastecimento de água para Região Metropolitana de São Paulo, Brasil. Sua localização geográfica, isolamento e a normatização ambiental que regulamenta o uso e ocupação do solo, colaboraram para a formação de um bairro com características peculiares.
O nome do bairro remete as origens do município de Santo André, antiga Vila de Santo André da Borda do Campo, sugere o destino vislumbrado por seus fundadores e reforça sua posição em relação a cidade. A região, inicialmente planejada para ser um Clube de Campo, área de recreação, teve sua ocupação completamente alterada. Em meio a vegetação, sítios e casas de final de semana misturam-se a barracos e construções típicas da periferia de São Paulo, evidenciando todos os ciclos de ocupação da região.
Atualmente a construção do trecho sul do Rodo Anel de São Paulo (obra de construção de um anel viário que irá circundar a cidade, com objetivo de desviar o tráfego de cargas da capital) tem alterado de forma profunda a paisagem, o ritmo de vida e o desenvolvimento do bairro. A obra fortalece o isolamento da região, atuando como marco de separação, o Recreio da Borda do Campo ficará para fora dos limites do Anel Viário. Intenciono neste projeto realizar uma leitura desse isolamento, de sua complexidade estrutural e da vida na fronteira entre a cidade e o campo, fronteira essa em eterno deslocamento.”

Mateus, Fernando, Samuel e Danilo.

Essa com certeza não é uma edição definitiva, o trabalho ainda tem um longo percurso. Gostaria muito de receber opiniões sobre as imagens, sua pertinência e a construção narrativa do conjunto. Opiniões sobre o texto e sua relação com o trabalho também são fundamentais. O que acham?

No lugar chamado Borda, vejo uma ilha

Dias intensos de trabalho nos projetos. Muitas ações foram se acumulando, por isso resolvemos sair de São Paulo e trabalhar afastados do movimento. As tarefas que envolvem adequação de edições me lembraram muito a redação técnica para fins diversos. Cada imagem da Borda tem um peso e comunica determinada coisa. Em um grupo certas imagens, que isoladamente talvez não tivessem tanta força, assumem importância monumental (ao meu ver).

Nesse desafio de pensar cada imagem como informação isolada ou agrupada, sigo construindo minha própria narrativa do projeto.

Assim, uma imagem que sempre me chamou muita atenção foi a da canaleta de água, que desde o dia em que foi feita, tornou-se um “ícone” do projeto e eu não conseguia integrá-la na minha edição pessoal. Pensando-a isoladamente, depois de tanto tempo, percebi algumas significações bobas, outras bem mais interessantes. Como um ápice da representação da paisagem alterada pelo homem alguns vêem um caminho, outros vêem um rasgo, hoje eu vejo um mapa, uma ilha, como uma miniatura da Borda, que me faz compreender o por quê dela simbolizar o projeto como um todo, por tanto tempo.

Em algumas edições recentes o que me surpreendeu foi o fato dessa imagem não ter sido eleita. Nessa supressão, comecei a pensar nas imagens que estão cumprindo o seu papel. Acho que suas possíveis substitutas têm sido a represa na neblina e o quadro.

Aqui pergunto-me: Será que essa imagem/paisagem poderia ser substituída por um retrato que represente o projeto?